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RisingJoy anuncia 20 animes verticais feitos por IA

Com uso de ferramentas de IA generativa em 80% da produção, estúdio de Cingapura amplia catálogo vertical na plataforma RJOY em parceria com a NTT Docomo.

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Saitama em combate durante One-Punch Man, anime de destaque na temporada de inverno de 2027
· Foto: Madhouse / Divulgação

O mercado global de animação prepara-se para uma transformação de volume sem precedentes com o anúncio da produtora RisingJoy, sediada em Cingapura. A empresa confirmou um compromisso editorial agressivo: o lançamento de vinte novas séries de animes verticais inteiramente geradas com o auxílio de inteligência artificial antes do término da temporada de inverno de 2027. O cronograma, revelado originalmente pelo veículo do setor de entretenimento C21Media e repercutido em detalhes pelo portal norte-americano CBR, prevê que os dois primeiros títulos estreiem já em janeiro no streaming móvel proprietário da marca, a plataforma RJOY, ampliando a presença do formato em escala internacional.

Saitama em combate durante One-Punch Man, anime que integra a tradicional temporada de inverno de 2027
A temporada de animes de inverno de 2027 dividirá a atenção entre os tradicionais pesos-pesados da televisão e novas ondas verticais geradas por IA. (Foto: Divulgação / Madhouse)

Escala industrial e automação no fluxo criativo

Somando os títulos já distribuídos ao longo deste ano com os lançamentos planejados até o encerramento do primeiro trimestre de 2027, o portfólio de obras animadas por IA da RisingJoy atingirá a marca expressiva de trinta produções originais. Esse ritmo de entrega seria praticamente inviável para estúdios tradicionais operando sob os custos e prazos convencionais da indústria de animes japoneses. A diretoria da produtora sustenta que o uso de algoritmos generativos e ferramentas automatizadas de renderização não substitui o núcleo criativo humano, mas funciona como uma alavanca para viabilizar produções com orçamentos enxutos focadas no ecossistema mobile.

De acordo com declarações anteriores concedidas pela cofundadora e diretora executiva (CEO) da RisingJoy, Cassandra Yang, as ferramentas de inteligência artificial realizam cerca de 80% do fluxo de trabalho bruto de produção gráfica e intercalação de quadros antes que a equipe interna de artistas intervenha para finalizar a supervisão editorial e o acabamento plástico dos episódios.

“A maioria das séries verticais bem-sucedidas hoje pertence ao segmento live-action, e o anime vertical ainda é uma categoria subdesenvolvida. Nós lemos isso como uma imensa oportunidade, não como uma limitação. Nossos dados mostram que o público de animes é mais nichado no momento, mas esses espectadores são muito mais leais, engajados e apegados aos personagens, o que constitui a base para franquias sólidas. Esta é uma categoria estratégica para nós, e não um simples experimento de laboratório.” — Cassandra Yang, cofundadora e CEO da RisingJoy
Cartaz promocional da produção Modern Cinderella Behind the Lies, anime vertical lançado pela RisingJoy
A série vertical Modern Cinderella Behind the Lies é um dos títulos originais criados no pipeline acelerado por IA do estúdio. (Foto: Divulgação / RJ RisingJoy Pte. Ltd.)

Catálogo existente e adaptação de microdramas de sucesso

O histórico da RisingJoy consolidou-se inicialmente na produção e distribuição de microdramas live-action em formato vertical. O catálogo global da companhia conta com mais de 650 obras disponibilizadas em idiomas como chinês, inglês e coreano, distribuídas em mais de 50 plataformas e 30 países. No último ano, mais de 80 produções ultrapassaram 100 milhões de visualizações individuais, enquanto os três títulos mais populares da empresa superaram a marca de 1 bilhão de reproduções combinadas.

Ao transitar para a animação vertical, a produtora já concluiu e disponibilizou seis séries de animes criadas via IA neste ano: Addicted to the Dark Boss, Hide My Secret in the Moonlight, In the Devil’s Hand, Last Order from the Revenge Club, Locked Away I Became Unbreakable e Modern Cinderella Behind the Lies. Notavelmente, os títulos Addicted to the Dark Boss e Hide My Secret in the Moonlight nasceram como adaptações diretas de microdramas dramáticos que já haviam conquistado audiências massivas em vídeo real.

Ilustração de Hide My Secret in the Moonlight, animação em formato vertical desenvolvida com inteligência artificial
Hide My Secret in the Moonlight adapta o enredo de um microdrama de sucesso da produtora para o formato de animação curta para smartphones. (Foto: Divulgação / RJ RisingJoy Pte. Ltd.)

Parceria com a NTT Docomo e expansão no TikTok

Para alavancar sua presença internacional e garantir relevância dentro do mercado asiático, a RisingJoy assinou um memorando de entendimento estratégico (MoU) com o conglomerado japonês NTT DOCOMO Studio & Live, subsidiária integral da gigante Nippon Telegraph and Telephone Corporation. Por meio desse acordo bilateral, a RisingJoy licenciará títulos da NTT DOCOMO de forma não exclusiva, permitindo cruzar audiências e ampliar seu acervo de propriedade intelectual no Sudeste Asiático e no Ocidente.

Além da aplicação própria RJOY, o conteúdo vertical tem sido veiculado diretamente em redes sociais móveis, incluindo canais e parcerias no TikTok, aplicativo que concentra mais de dois bilhões de usuários ativos mensais altamente habituados à rolagem contínua de vídeos curtos na proporção de tela 9:16. O modelo apoia-se em episódios rápidos de 1 a 3 minutos, construídos com ganchos narrativos fortes para retenção instantânea.

Modelo de Produção Formato e Razão de Tela Uso de Inteligência Artificial Janela de Distribuição
RisingJoy (RJOY) Vertical 9:16 (1 a 3 minutos) ~80% do pipeline com supervisão humana D2C mobile, TikTok e parcerias asiáticas
Estúdio Ryuu Vertical 9:16 (curta-metragem) 0% IA (100% autoral humano) Aplicativo próprio para criadores indie
Animes de TV Tradicionais Horizontal 16:9 (20 a 24 minutos) Desenho manual e CGI convencional TV japonesa, Crunchyroll, Netflix

O embate filosófico entre IA e a tradição dos estúdios

O avanço vertiginoso da automação na animação móvel despertou reações contrastantes entre fãs e profissionais do setor. Enquanto a RisingJoy acelera a publicação de dezenas de séries com inteligência artificial, concorrentes diretos no nicho vertical adotam posições opostas. O estúdio independente Ryuu, por exemplo, colocou no ar uma plataforma de streaming dedicada a animes verticais posicionando-se estritamente como um reduto 100% livre de inteligência artificial, promovendo produções manuais e valorizando criadores autorais com títulos de destaque como Granite Wars.

Ao mesmo tempo, as grandes redes de televisão e os estúdios clássicos do Japão também experimentam adaptações ao comportamento da Geração Z, testando episódios condensados de 5 a 6 minutos nas grades de programação. Contudo, o inverno de 2027 segue ancorado por grandes produções de peso da indústria convencional, como a segunda temporada de Sakamoto Days, o remake de One Piece pela Netflix, a aguardada continuação da 3ª temporada de One-Punch Man e o terceiro ano de Mashle: Magia e Músculos.

A corrida pelo público móvel demonstra que, enquanto o circuito televisivo e de cinema defende a excelência artesanal e a complexidade técnica, o segmento de telas verticais transforma-se em um campo fértil de experimentação econômica onde a inteligência artificial busca se provar viável em escala massiva.

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