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Liquid Swords, de Samson, decreta falência na Suécia

Estúdio sueco fundado por Christofer Sundberg fecha seis meses após lançar Samson; administrador busca comprador para a IP e funcionários ficam sem salários.

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Liquid Swords, de Samson, decreta falência na Suécia
· Foto: Divulgação / Liquid Swords

A Liquid Swords, estúdio sueco fundado em 2020 por Christofer Sundberg, cofundador da Avalanche Studios e nome central da série Just Cause, teve a falência decretada pelo Tribunal Distrital de Estocolmo em 12 de outubro de 2026. A decisão, revelada pelo site sueco Breakit em 15 de outubro, ocorre seis meses depois do lançamento de Samson: A Tyndalston Story, primeiro e único jogo da casa, e após os funcionários ficarem pelo menos dois meses sem receber salários. Cerca de 27 pessoas serão demitidas, e o administrador de falências Karl Björlin, do escritório Cirio, tenta vender a propriedade intelectual e os ativos do estúdio. O prazo para propostas indicativas terminou ao meio-dia desta quarta-feira, 21 de outubro.

O caso resume, em poucos meses, a montanha-russa de um estúdio que nasceu com credenciais de peso, apostou em um mundo aberto de crime e perseguições policiais e viu o projeto perder escala, equipe e, por fim, a própria empresa. A página de Samson no catálogo do O Santuário Geek registra o lançamento para PC em 8 de abril de 2026 e uma trajetória que não se sustentou comercialmente.

Salários atrasados e uma falência pedida pelos próprios funcionários

Segundo a apuração do Breakit, os pagamentos pararam em agosto. Sem perspectiva de receber, os próprios empregados entraram com o pedido de falência da Liquid Swords. O Tribunal Distrital de Estocolmo acatou a solicitação em 12 de outubro e nomeou Karl Björlin, da Cirio Advokatbyrå, como administrador judicial. A informação foi confirmada pelo comunicado oficial da Cirio e por veículos como a Gametalk.

Com a quebra, os cerca de 27 funcionários restantes são demitidos. Os salários em atraso devem ser cobertos pelo sistema sueco de garantia salarial estatal, mecanismo que ampara trabalhadores de empresas insolventes no país. A medida alivia a situação imediata dos profissionais, mas não resolve o passivo nem garante a continuidade do jogo.

O espólio da Liquid Swords é composto principalmente pela propriedade intelectual de Samson. O administrador colocou à venda o negócio, os ativos de desenvolvimento e os equipamentos da empresa. Propostas indicativas precisavam ser enviadas por escrito até as 12h de 21 de outubro, no horário local. Mesmo que um comprador apareça, os contratos de trabalho da equipe atual não são transferidos automaticamente.

O que aconteceu com Samson, o jogo que deveria salvar o estúdio

Samson: A Tyndalston Story chegou ao PC em 8 de abril de 2026, com lançamento posterior no PlayStation 5 e no Xbox Series X|S em 21 de setembro. O título propõe um mundo aberto de crime e ação veicular em Tyndalston, cidade fictícia onde o protagonista retorna para quitar dívidas e proteger a irmã. A proposta chamou atenção pelo pedigree de Sundberg e por uma equipe com profissionais vindos de DICE, Rockstar, Starbreeze e da própria Avalanche.

Na prática, porém, o jogo não conseguiu converter expectativa em qualidade percebida. A nota agregada no Metacritic ficou em 51 entre os críticos, e a recepção no Steam foi mista. Bugs, problemas de desempenho e combate pouco responsivo dominaram as reclamações. O próprio Sundberg publicou uma carta de desculpas no Steam, classificando o estado do lançamento como “inaceitável” e prometendo corrigir os problemas mais graves.

Samson enfrenta inimigos em combate corporal nas ruas de Tyndalston
Samson aposta em combate corporal e perseguições em Tyndalston, mas problemas técnicos marcaram o lançamento. (Foto: Divulgação / Liquid Swords)

Nem os patches nem a chegada aos consoles reverteram o quadro. A Liquid Swords seguiu atualizando o jogo mesmo depois de parar de pagar os salários: em 8 de outubro, publicou uma atualização para a versão de PC, quando as versões para console tinham menos de um mês de mercado. A resistência do time, porém, não foi suficiente para segurar as finanças.

Os documentos do administrador judicial, citados pela Gametalk, mostram que Samson havia vendido cerca de 151.900 cópias somando PlayStation, Xbox e Steam até 14 de outubro, com receita líquida de aproximadamente 24,1 milhões de coroas suecas — algo em torno de 13 milhões de reais na cotação atual. É um volume modesto para um projeto de mundo aberto com anos de desenvolvimento.

Sundberg confirma o fechamento e negocia a IP com a NetEase

O fundador rompeu o silêncio em 19 de outubro, quando confirmou o encerramento das atividades no X. “A Liquid Swords está fechando. Samson foi muito melhor nos consoles, mas não foi o suficiente para salvar o estúdio”, escreveu. Ele também disse estar orgulhoso do que a equipe realizou e afirmou que havia conversas em andamento sobre a manutenção do suporte ao jogo.

“A Liquid Swords está fechando. Samson foi muito melhor nos consoles, mas não foi o suficiente para salvar o estúdio.”
— Christofer Sundberg, fundador da Liquid Swords, no X

Em entrevista ao jornal sueco Aftonbladet, Sundberg foi mais específico: apenas oito das quase 30 pessoas devem continuar em uma nova equipe, e ele negocia com a NetEase, acionista minoritária do estúdio desde 2022, a licença da propriedade intelectual de Samson para seguir o desenvolvimento em escala menor. O executivo resumiu o desfecho sem rodeios.

“Fizemos uma aposta, falhamos, e aqui estamos.”
— Christofer Sundberg ao Aftonbladet

Segundo ele, o problema foi de liquidez, não exatamente de vendas. A receita do lançamento para consoles só entra no fim do mês seguinte, e a NetEase não quis injetar mais dinheiro. O caixa curto em uma operação que ainda precisava sustentar dezenas de salários e um jogo recém-lançado selou o destino da companhia.

De promessa de mundo aberto a uma crise de liquidez

A Liquid Swords foi fundada em 2020, pouco depois da saída de Sundberg da Avalanche. O estúdio nasceu com a promessa de criar experiências narrativas ambiciosas e atraiu atenção justamente pelo histórico do fundador na franquia Just Cause. Samson começou a ser desenhado como um RPG de ação de grande porte, mas o projeto mudou de escopo e estrutura depois que a equipe teve dificuldade para fechar com uma publicadora.

Em 2025, a empresa já havia demitido cerca de metade do quadro por dificuldades financeiras. A versão final, menor e mais focada, apostava em combate corpo a corpo, perseguições de carro e uma cidade opressiva como cenário. O lançamento chegou, mas a base técnica não acompanhou a ambição, e a cobertura negativa se espalhou rapidamente.

A trajetória recorda outros estúdios independentes que apostaram todas as fichas em um único título de escopo médio e não conseguiram atravessar o período de retorno do investimento. No caso sueco, a combinação de lançamento problemático, caixa curto e dependência de um só produto tornou a recuperação praticamente impossível.

O que acontece agora com Samson

O futuro do jogo depende do processo de venda. A Cirio tenta encontrar um comprador para a IP e para os ativos, e o prazo de propostas indicativas se encerrou em 21 de outubro. Não há garantia de que apareça um interessado disposto a assumir o desenvolvimento, e a transferência dos ativos não obriga a contratação da equipe original.

Data Acontecimento
8 de abril de 2026Lançamento de Samson para PC
Agosto de 2026Salários dos funcionários deixam de ser pagos
21 de setembro de 2026Chegada às versões de PS5 e Xbox Series X|S
12 de outubro de 2026Tribunal Distrital de Estocolmo decreta a falência
19 de outubro de 2026Sundberg confirma o fechamento e negocia IP com a NetEase
21 de outubro de 2026Prazo final para propostas indicativas de compra

Se a venda não avançar, Samson deve ficar sem suporte oficial. Atualizações, correções de bugs e eventuais conteúdos adicionais dependem de um novo controlador disposto a investir no título. A comunidade que comprou o jogo, inclusive nas versões de console lançadas há apenas um mês, fica diante de um cenário de incerteza.

Arte de Samson: A Tyndalston Story com o protagonista e o logotipo do jogo
Samson foi o primeiro e único lançamento da Liquid Swords, fundada em 2020. (Foto: Reprodução / Inven Global)

Um alerta para a indústria independente

A falência da Liquid Swords não é um caso isolado, mas serve de termômetro para o momento do mercado. Estúdios de porte médio enfrentam custos de produção crescentes, concorrência brutal por atenção e uma janela de retorno cada vez mais curta. Quando o lançamento tropeça, o caixa some antes de qualquer correção de rota.

Para os jogadores, resta acompanhar o leilão dos ativos e torcer para que Samson encontre um comprador capaz de preservar o que a equipe construiu. Para a indústria, fica o lembrete de que pedigree e ambição não substituem planejamento financeiro — e de que, atrás de cada anúncio de fechamento, há dezenas de profissionais tentando entender o que vem depois. Novos desdobramentos sobre a venda da IP devem aparecer nas próximas semanas; acompanhe a cobertura na seção de Jogos do portal.

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