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Os 10 melhores jogos de arcade da Nintendo da história

Ranking dos 10 melhores jogos de arcade da Nintendo, de Donkey Kong a Wild Gunman: a trajetória que levou a gigante dos cartas ao topo dos fliperamas.

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Os 10 melhores jogos de arcade da Nintendo da história
· Foto: Divulgação / Nintendo

O ranking dos 10 melhores jogos de arcade da história da Nintendo foi apurado pelo jornalista Marley Hughes e publicado nesta quarta-feira, 21 de outubro de 2026, no portal especializado CBR. A lista reúne fliperamas lançados pela japonesa e por parceiros como Midway e Rare entre 1974 e 1994 — de Wild Gunman a Donkey Kong —, avaliados pela qualidade do gameplay, pelo rigor técnico e pelo legado na indústria. O motivo da pauta: revisitar o período em que uma empresa fundada em 1889 como fabricante de cartas de baralho construiu, nos salões de fliperamas, a base que a transformaria em um dos maiores nomes dos videogames.

De cartas de baralho ao topo dos fliperamas

A trajetória é, em si, pequena história industrial. A Nintendo nasceu em Kyoto, em 1889, dedicada a cartas de baralho — um modelo de negócio que a empresa praticamente manteve até a década de 1960, quando começou a experimentar brinquedos e até serviços de hospitalidade. A virada definitiva para o entretenimento eletrônico começou nos anos 1970, com a entrada no mercado de arcades, e alcançou seu auge nos anos 1990, já com franquias que definiram gerações.

Hoje, a companhia é reconhecida por seus consoles e jogos — da franquia Mario ao Switch 2 —, mas a apuração do CBR reforça uma tese recorrente entre historiadores do setor: para entender o sucesso atual da Nintendo, é preciso olhar para trás, para os fliperamas dos anos 1970, 1980 e 1990 que deram origem a ícones como Donkey Kong Jr. e VS. Super Mario Bros.

Tela do jogo Mario Bros. rodando no arcade, com Mario e Luigi no encanamento enfrentando insetos
Mario Bros. uniu inovação mecânica simples e desafio crescente no arcade de 1983. (Foto: Divulgação / Nintendo)

O ranking completo: os 10 melhores fliperamas da Nintendo

Listado do 10º ao 1º lugar, o levantamento premia desde um pioneiro de FMV praticamente esquecido até o jogo considerado o marco zero da Nintendo nos videogames. Confira a tabela:

#JogoAno (arcade)Destaque histórico
1Donkey Kong1981Presenteou o mundo com Mario e consolidou a Nintendo na América do Norte
2Mario Bros.1983Batizou Mario (antes Jumpman) e estreou Luigi em sua primeira aventura
3Donkey Kong 31983Afastou Mario e apostou em Stanley, o dedetizador, em formato shoot 'em up
4Donkey Kong Jr.1982Inverteu o papel de Mario para antagonista em uma jornada de resgate
5VS. Super Mario Bros.1986Versão arcade mais difícil, voltada à caça ao placar recorde
6VS. Balloon Fight1984Atualizou a mecânica de Joust com balões desafiadores
7Killer Instinct1994Lutador hardcore da Rare com sistema de combos revolucionário
8VS. Duck Hunt1984Pistola de luz clássica da linha VS., marcada pela cínica possibilidade de atirar no cachorro
9Cruis'n USA1994Corrida arcade produzida com a Midway, trilha rock e pistas urbanas
10Wild Gunman1974Pioneiro do FMV e semente da dominância futura da Nintendo

Os clássicos fundadores: de Donkey Kong a Donkey Kong 3

Donkey Kong (1981): o marco zero

É irrelevante discutir se existem arcades tecnicamente superiores a Donkey Kong. O que importa, na leitura da apuração, é que ele permanece o maior jogo arcade da Nintendo — e não apenas porque colocou a companhia na trajetória de se tornar um dos maiores nomes do setor. Sua mecânica é tão simples e, ao mesmo tempo, tão cativante que é difícil falhar: Mario escala uma obra de construção até alcançar Donkey Kong, que mantém Pauline refém. Cada nível varia na forma de conclusão — no quarto estágio, o jogador precisa arrancar rebites da estrutura. Quase 45 anos depois do lançamento, o gorila ainda manda no fliperama.

"Por mais difíceis que esses níveis possam ficar, Donkey Kong ainda tem seu lugar nos games mesmo depois de quase cinquenta anos."
— Marley Hughes, CBR (tradução nossa)

Mario Bros. (1983): o batismo de Luigi

Mario Bros. realizou três feitos de uma vez: trocou o nome do herói de Jumpman para Mario, apresentou seu irmão Luigi e concebeu a primeira aventura vivida pelos dois juntos. A arena é um esgoto que precisa ser limpo de pragas — moscas, caranguejos, tartarugas, além de perigos elementares como bolas de fogo e gelo. A premissa é direta: o jogador soca o teto da plataforma para atordoar os inimigos e depois derrubá-los no chão. Parece simples, mas a dificuldade cresce com o gelo, que se torna um impedimento real nos estágios finais. Ainda assim, é justamente esse desafio que convida o jogador a continuar avançando de fase em fase.

Donkey Kong Jr. (1982) e Donkey Kong 3 (1983): inversões ousadas

Donkey Kong Jr. é outro exemplo de ousadia: pela primeira vez — e talvez única vez —, Mario vira o vilão do jogo. O filhote do gorila arrisca tudo para resgatar o pai das mãos do encanador, enfrentando aligátores e pássaros que soltam ovos pelo caminho. É um título notoriamente difícil, porém mais eletrizante que o antecessor, com mecânicas de escalada que se mostram decisivas no nível final. Já Donkey Kong 3 abandona completamente a fórmula de plataforma: sem Mario, o jogador assume Stanley, o dedetizador, que usa seu inseticida para afastar Donkey Kong. O resultado é um shoot 'em up contagiante — que, infelizmente, nunca deu a Stanley outra aparição relevante.

Estágio final de Donkey Kong Jr. com o filhote escalando cordas para resgatar Donkey Kong de Mario
Donkey Kong Jr. pode ser difícil, mas é mais eletrizante que seu antecessor. (Foto: Divulgação / Nintendo)

A era VS. e a aposta pioneira no FMV

Wild Gunman (1974): o pioneiro quase esquecido

Grande parte do público conhece Wild Gunman pelo lançamento icônico no NES — e por sua famosa aparição em De Volta para o Futuro II. Poucos sabem, contudo, que a Nintendo já havia feito outra versão do jogo nos anos 1970, com suporte a FMV (vídeo em filme). Tal como a edição do console, a versão arcade desafia o jogador a esperar o instante exato para atirar nos alvos. A versão da década de 1970 não recebe crédito suficiente por ter preparado o palco para duas coisas: a dominância futura da Nintendo nos videogames e seu uso inovador de vídeo como recurso jogável.

Cartão de título do jogo Wild Gunman de 1974 da Nintendo com o caçador do faroeste
Wild Gunman (1974) já experimentava FMV em uma época em que esse recurso era raríssimo na indústria. (Foto: Divulgação / Nintendo)
"A versão de Wild Gunman dos anos 1970 não recebe crédito suficiente por preparar o palco tanto para a dominância da Nintendo nos games quanto pelo uso inovador de FMV."
— Marley Hughes, CBR (tradução nossa)

VS. Super Mario Bros., VS. Duck Hunt e VS. Balloon Fight

Antes mesmo do lançamento do Famicom, a Nintendo já explorava o arcade com a linha VS., que reinventava suas obras para fliperamas. VS. Super Mario Bros. mantém o resgate da Princesa Peach, mas eleva o foco na pontuação: como resultado, os níveis são mais difíceis, projetados para testar de verdade as habilidades do jogador com Mario — um candidato natural a campeonatos competitivos. VS. Duck Hunt, por sua vez, é o tiro de luz que os fãs amam, com uma curiosidade deliciosa: é possível atirar no cachorro, mas a punição é imediata — um game over automático. Ademais, o fliperama mantém intacta a fórmula da edição doméstica: o objetivo continua sendo acertar a máxima quantidade possível de patos com a pistola de luz. VS. Balloon Fight, essencialmente uma releitura de Joust, troca as avestruzes de Joust por voadores com balões: o objetivo é estourar a aeronave alheia e mandar os adversários de volta ao chão — deliciosamente eletrizante, no fliperama ou em casa.

Killer Instinct (1994) e Cruis'n USA (1994): os 90 no arcade

Killer Instinct é o lutador hardcore desenvolvido pela Rare — mesma casa responsável depois pelas versões de SNES e N64. A trama gira em torno do torneio homônimo, em que lutadores comuns encaram combatentes geneticamente aprimorados. Por baixo do visual chamativo, mecânicas sofisticadas dão substância: combo breakers permitem que os azarões escapem de sequências e acumulem pontos extra. É um jogo de luta intenso que envelheceu bem. Cruis'n USA, produzido pela Nintendo em parceria com a Midway, projetado para exibir o hardware do fliperama em sua capacidade máxima — uma versão mais crua do Daytona USA da Sega, com trilha rock, corridas urbanas de alta velocidade e escolha entre diferentes veículos. É o melhor jogo de corrida arcade da Nintendo e um dos melhores do gênero de todos os tempos — pena que a conversão para N64 ficou abaixo do original.

O legado arcade na Nintendo dos dias de hoje

A lição da lista vai além da nostalgia. Os fliperamas fundaram vocabulário que a Nintendo ainda usa: o design de dificuldade por estágios de Donkey Kong, o cooperativo simples de Mario Bros., a obsessão por pontuação da linha VS. e a aposta em hardware próprio que surgiu com Cruis'n USA. Esse repertório explica por que a empresa trata seus clássicos como capital cultural e continua apostando em relançamentos e homenagens de seus clássicos de fliperamas.

Para quem quiser acompanhar o fio histórico até os dias atuais, vale conferir a nossa cobertura de jogos e consoles, inclusive a notícia de que Re-Volt, clássico de corrida de 1999, chega ao Switch e ao PS5. A linhagem dos fliperamas também é material oficial documentado pela própria empresa, que mantém uma linha do tempo pública em seu site institucional.

Veredito: Donkey Kong ainda manda no fliperama

O ranking confirma o óbvio e o surpreendente ao mesmo tempo. O óbvio: Donkey Kong permanece intocável como o maior arcade da Nintendo, moldando a franquia Mario e a própria identidade da companhia. O surpreendente: a lista resgata tesouros negligenciados — do FMV pioneiro de Wild Gunman à ousadia de transformar Mario em vilão em Donkey Kong Jr. Ao revisitar essa linhagem, o ranking revela não apenas nostalgia, mas uma lição de design: as mecânicas mais duradouras da Nintendo nasceram na busca por sobrevivência comercial nos salões de fliperama. Quase meio século depois, continuam definindo o padrão da indústria. O levantamento completo, de onde esta apuração partiu, pode ser conferido na versão original no CBR.

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