Need for Speed: Underground 2 roda direto no navegador
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Projeto de fãs revive Underground 2 no Chrome e no Firefox com free roam online, até 120 fps e mais de mil pilotos em Bayview; veja como jogar agora.

O clássico Need for Speed: Underground 2, lançado pela Electronic Arts em 2004, ganhou uma versão completa e jogável no navegador por meio do projeto de fãs Underground 2 Revived, disponível no endereço nfsu2.xyz. A versão roda no Chrome e no Firefox, aproveita o próprio código do jogo de PC recompilado para a web e dispensa instalação ou conta da EA. Nesta quinta-feira (22), o modo Free Roam estava no ar com servidor próprio e, segundo o TheGamer, ultrapassava mil pilotos simultâneos por volta das 3h no horário do leste dos Estados Unidos. O lançamento coloca o título de 2004 na mesma onda de ports amadores que já levou Halo, GTA e Call of Duty ao navegador — e acontece no mesmo dia em que a EA anunciou o fechamento da BioWare.
O que é o Underground 2 Revived
O projeto se apresenta como uma iniciativa independente de fãs, sem qualquer participação da Electronic Arts. Na página inicial, um aviso em letras claras resume a natureza do trabalho e tenta afastar dúvidas sobre licenciamento. O site também mantém um endereço de contato específico para titulares de direitos, o [email protected].
"Fan project. Not affiliated with or endorsed by Electronic Arts."
Em tradução livre, o texto diz que se trata de um projeto de fãs, não afiliado nem endossado pela Electronic Arts. A descrição técnica, porém, mostra que o trabalho vai muito além de uma recriação amadora: segundo os responsáveis, o jogo usa o próprio código da versão de PC, recompilado para rodar no navegador, com WebGPU para os gráficos e Web Audio para o som.
"The PC game's own code, recompiled to run in Chrome and Firefox, with WebGPU for the graphics and Web Audio for the sound."
Na prática, isso significa que o visitante não baixa um executável nem passa por lojas digitais. Basta abrir o site em um navegador compatível e apertar Play. O projeto afirma reproduzir o visual original com as configurações gráficas no máximo, em widescreen na resolução da tela e a até 120 quadros por segundo. Os filmes de abertura podem ser pulados com um toque, e o jogo pausa sozinho quando a aba fica em segundo plano — exceto em partidas online e em LAN.
Como jogar, controles e salvamento
A barreira de entrada é baixa, mas existe. Como a renderização depende de WebGPU, o jogo pede um navegador atualizado — Chrome ou Firefox atualizados, com o recurso habilitado. Na primeira visita, o site baixa os dados do jogo e oferece a opção de pré-carregar o conteúdo para reduzir a espera. Todo o progresso fica salvo no próprio navegador, com backup em arquivo zip e a possibilidade de importar perfis da versão de PC guardados na pasta %LOCALAPPDATA%\NFS Underground 2.
Os controles seguem o padrão dos jogos de corrida de PC, com suporte a teclado e a controles de Xbox e PlayStation, incluindo vibração. A tabela abaixo reúne os comandos principais divulgados pelo projeto:
| Ação | Tecla padrão |
|---|---|
| Acelerar, frear e dar ré | Setas para cima e para baixo |
| Dirigir | Setas para os lados ou W, A, S, D |
| Nitro | Alt |
| Freio de mão | Espaço |
| Trocar de marcha (manual) | Shift e Ctrl |
| Trocar câmera e olhar para trás | C e B |
| Buzina (com outros jogadores) | N |
| Iniciar evento ou ultrapassagem | Enter |
| Mapa e mensagens | M e Tab |
| Pausar e menu do jogo | Esc, P e F9 |
Há ainda atalhos para respawn (R), hidráulica (H e J), contador de quadros (F8) e captura de tela (F12), além do menu de tela cheia no F9. A recomendação do projeto é sair pelo menu principal ou pela opção Quit, para que um salvamento em andamento não seja interrompido. Quem joga em LAN ou online deve manter a aba ativa, porque o jogo não pausa nessas situações.
Free Roam online com mais de mil pilotos
O grande diferencial desta versão é o modo online. O Free Roam de Underground 2, que em 2004 permitia explorar livremente a cidade fictícia de Bayview, agora tem um servidor completo operado pelo próprio projeto. É possível circular pela cidade com centenas de outros pilotos, disputar corridas e usar a buzina para provocar os adversários. Não é preciso criar conta na EA nem assinar serviço algum.
O TheGamer relata que, às 3h da manhã no horário do leste dos Estados Unidos, mais de mil jogadores estavam circulando por Bayview. O repórter Sam Woods testou a versão e saiu impressionado com a estabilidade. A avaliação, porém, vem com uma ressalva sobre a origem do código.
"Surprisingly, after playing around with it for a while, it works flawlessly."
Em tradução livre, o jornalista diz que, surpreendentemente, depois de algum tempo de teste, o jogo funciona perfeitamente. A experiência inclui corridas online, o modo Outrun — a perseguição típica da série — e a possibilidade de jogar com amigos no mesmo servidor. Para quem cresceu com o original no PlayStation 2, no Xbox ou no GameCube, a sensação é de ver Bayview ganhar uma segunda vida, agora sem depender de um console ligado à televisão.
Por que Underground 2 ainda é tão lembrado
Lançado em 2004, Underground 2 pegou a base do antecessor e ampliou o que mais agradava o público: a personalização visual e de desempenho dos carros, a cultura tuning e uma cidade aberta com identidade própria. Bayview, com seus letreiros de neon e avenidas molhadas, virou um personagem à parte. A trilha sonora, misturando hip-hop e música eletrônica, ajudou a fixar o jogo na memória de uma geração.
O próprio TheGamer contextualiza a posição do título dentro de uma franquia de histórico irregular. As notas de crítica da série vão de 89, em Need for Speed: Hot Pursuit 2, a 61, em Need for Speed Payback. Most Wanted tem a melhor nota dos usuários, enquanto Underground 2 aparece perto do topo quando notas de crítica e de público são combinadas.
| Indicador | Jogo |
|---|---|
| Maior nota da crítica (89) | Need for Speed: Hot Pursuit 2 |
| Menor nota da crítica (61) | Need for Speed Payback |
| Melhor nota dos usuários | Need for Speed: Most Wanted |
| Melhor combinação de crítica e público | Need for Speed: Underground 2 (entre os primeiros) |
A força nostálgica explica por que o projeto encontrou público tão rápido. Não se trata apenas de rejogar uma campanha antiga: o modo online transforma uma experiência originalmente single-player em um espaço compartilhado, com corridas espontâneas e a possibilidade de simplesmente cruzar a cidade ao lado de desconhecidos. É o tipo de uso que os servidores oficiais da época já não ofereciam.
A sombra da IA e a onda de ports de navegador
O entusiasmo vem acompanhado de um debate. O TheGamer afirma haver "alta probabilidade" de que o projeto tenha sido criado com auxílio de IA generativa, o chamado vibe coding, embora não apresente prova definitiva e o site do projeto não confirme o método de desenvolvimento. A ressalva se apoia na explosão recente de ports amadores de clássicos para o navegador e para o PC.
Nos últimos meses, títulos como Halo: Combat Evolved, o modo Zombies de Call of Duty: Black Ops, Super Mario Galaxy e Kingdom Hearts 358/2 Days apareceram em versões não oficiais, muitas vezes resultado de descompilação acelerada por ferramentas de inteligência artificial. O Santuário Geek já acompanhou esse movimento em reportagens sobre os ports de Halo, GTA e Call of Duty no navegador e sobre os projetos de fãs que levaram Halo, GTA Vice City e Simpsons à web.
A discussão envolve três frentes. A primeira é a preservação: jogos fora de catálogo ou presos a plataformas antigas ganham uma forma acessível de serem jogados. A segunda é a qualidade: ports rápidos podem trazer bugs, falhas de segurança e problemas de desempenho. A terceira é jurídica: o código e a propriedade intelectual continuam pertencendo aos detentores originais, e projetos de fãs podem ser retirados do ar a qualquer momento.
Direitos autorais, riscos e o que esperar
Need for Speed é uma marca da Electronic Arts, e Underground 2 continua sendo propriedade da empresa. O projeto não esconde isso: informa que não tem vínculo com a EA e mantém um canal para que titulares de direitos possam entrar em contato. Ainda assim, a ausência de licença oficial significa que o site pode sair do ar sem aviso, seja por decisão dos desenvolvedores, seja por notificação dos detentores.
O timing chama atenção. No mesmo 22 de outubro, a EA confirmou o fechamento da BioWare e o cancelamento do novo Mass Effect, em um corte de cerca de 400 postos de trabalho. A notícia, coberta pelo portal, reforça o clima de desconfiança em relação à publisher — o mesmo clima que ajuda a explicar a recepção calorosa a iniciativas de fãs. Não há, porém, qualquer relação direta entre os dois acontecimentos além da coincidência de data.
Para quem quiser testar, o caminho é simples: abrir o site do projeto em um navegador atualizado, baixar os dados e escolher entre o modo single-player e o online. Vale conferir os controles, fazer um backup dos saves e, se possível, importar o perfil antigo do PC. A população do servidor pode variar ao longo do dia, e o desempenho depende da conexão e da placa de vídeo.
O Underground 2 Revived não é um relançamento oficial, nem substitui a experiência de época em um console original. É uma amostra do que a preservação feita por fãs pode alcançar quando o código existe e a comunidade se organiza — e também um lembrete dos limites desse modelo. Enquanto o site estiver no ar, Bayview continua acessível a um clique, sem instalação e sem conta. Para os fãs de corrida e de jogos clássicos, é uma chance rara de revisitar um marco de 2004 com olhos de 2026. Acompanhe outras novidades de games na editoria de Jogos do Santuário Geek.





