☰Menu
O Santuário Geek

Need for Speed: Underground 2 roda direto no navegador

Projeto de fãs revive Underground 2 no Chrome e no Firefox com free roam online, até 120 fps e mais de mil pilotos em Bayview; veja como jogar agora.

Adicione como fonte preferida no GoogleWhatsAppTelegram

Compartilhar matéria

Nissan 350Z verde em avenida de Bayview na versão de navegador de Need for Speed: Underground 2
· Foto: Reprodução / TheGamer

O clássico Need for Speed: Underground 2, lançado pela Electronic Arts em 2004, ganhou uma versão completa e jogável no navegador por meio do projeto de fãs Underground 2 Revived, disponível no endereço nfsu2.xyz. A versão roda no Chrome e no Firefox, aproveita o próprio código do jogo de PC recompilado para a web e dispensa instalação ou conta da EA. Nesta quinta-feira (22), o modo Free Roam estava no ar com servidor próprio e, segundo o TheGamer, ultrapassava mil pilotos simultâneos por volta das 3h no horário do leste dos Estados Unidos. O lançamento coloca o título de 2004 na mesma onda de ports amadores que já levou Halo, GTA e Call of Duty ao navegador — e acontece no mesmo dia em que a EA anunciou o fechamento da BioWare.

O que é o Underground 2 Revived

O projeto se apresenta como uma iniciativa independente de fãs, sem qualquer participação da Electronic Arts. Na página inicial, um aviso em letras claras resume a natureza do trabalho e tenta afastar dúvidas sobre licenciamento. O site também mantém um endereço de contato específico para titulares de direitos, o [email protected].

"Fan project. Not affiliated with or endorsed by Electronic Arts."
— Underground 2 Revived, aviso oficial na página do projeto

Em tradução livre, o texto diz que se trata de um projeto de fãs, não afiliado nem endossado pela Electronic Arts. A descrição técnica, porém, mostra que o trabalho vai muito além de uma recriação amadora: segundo os responsáveis, o jogo usa o próprio código da versão de PC, recompilado para rodar no navegador, com WebGPU para os gráficos e Web Audio para o som.

"The PC game's own code, recompiled to run in Chrome and Firefox, with WebGPU for the graphics and Web Audio for the sound."
— Underground 2 Revived, descrição oficial das mudanças

Na prática, isso significa que o visitante não baixa um executável nem passa por lojas digitais. Basta abrir o site em um navegador compatível e apertar Play. O projeto afirma reproduzir o visual original com as configurações gráficas no máximo, em widescreen na resolução da tela e a até 120 quadros por segundo. Os filmes de abertura podem ser pulados com um toque, e o jogo pausa sozinho quando a aba fica em segundo plano — exceto em partidas online e em LAN.

Como jogar, controles e salvamento

A barreira de entrada é baixa, mas existe. Como a renderização depende de WebGPU, o jogo pede um navegador atualizado — Chrome ou Firefox atualizados, com o recurso habilitado. Na primeira visita, o site baixa os dados do jogo e oferece a opção de pré-carregar o conteúdo para reduzir a espera. Todo o progresso fica salvo no próprio navegador, com backup em arquivo zip e a possibilidade de importar perfis da versão de PC guardados na pasta %LOCALAPPDATA%\NFS Underground 2.

Os controles seguem o padrão dos jogos de corrida de PC, com suporte a teclado e a controles de Xbox e PlayStation, incluindo vibração. A tabela abaixo reúne os comandos principais divulgados pelo projeto:

AçãoTecla padrão
Acelerar, frear e dar réSetas para cima e para baixo
DirigirSetas para os lados ou W, A, S, D
NitroAlt
Freio de mãoEspaço
Trocar de marcha (manual)Shift e Ctrl
Trocar câmera e olhar para trásC e B
Buzina (com outros jogadores)N
Iniciar evento ou ultrapassagemEnter
Mapa e mensagensM e Tab
Pausar e menu do jogoEsc, P e F9

Há ainda atalhos para respawn (R), hidráulica (H e J), contador de quadros (F8) e captura de tela (F12), além do menu de tela cheia no F9. A recomendação do projeto é sair pelo menu principal ou pela opção Quit, para que um salvamento em andamento não seja interrompido. Quem joga em LAN ou online deve manter a aba ativa, porque o jogo não pausa nessas situações.

Free Roam online com mais de mil pilotos

O grande diferencial desta versão é o modo online. O Free Roam de Underground 2, que em 2004 permitia explorar livremente a cidade fictícia de Bayview, agora tem um servidor completo operado pelo próprio projeto. É possível circular pela cidade com centenas de outros pilotos, disputar corridas e usar a buzina para provocar os adversários. Não é preciso criar conta na EA nem assinar serviço algum.

O TheGamer relata que, às 3h da manhã no horário do leste dos Estados Unidos, mais de mil jogadores estavam circulando por Bayview. O repórter Sam Woods testou a versão e saiu impressionado com a estabilidade. A avaliação, porém, vem com uma ressalva sobre a origem do código.

"Surprisingly, after playing around with it for a while, it works flawlessly."
— Sam Woods, repórter do TheGamer

Em tradução livre, o jornalista diz que, surpreendentemente, depois de algum tempo de teste, o jogo funciona perfeitamente. A experiência inclui corridas online, o modo Outrun — a perseguição típica da série — e a possibilidade de jogar com amigos no mesmo servidor. Para quem cresceu com o original no PlayStation 2, no Xbox ou no GameCube, a sensação é de ver Bayview ganhar uma segunda vida, agora sem depender de um console ligado à televisão.

Nissan 350Z verde em Bayview na versão de navegador de Need for Speed: Underground 2
· Foto: Reprodução / TheGamer

Por que Underground 2 ainda é tão lembrado

Lançado em 2004, Underground 2 pegou a base do antecessor e ampliou o que mais agradava o público: a personalização visual e de desempenho dos carros, a cultura tuning e uma cidade aberta com identidade própria. Bayview, com seus letreiros de neon e avenidas molhadas, virou um personagem à parte. A trilha sonora, misturando hip-hop e música eletrônica, ajudou a fixar o jogo na memória de uma geração.

O próprio TheGamer contextualiza a posição do título dentro de uma franquia de histórico irregular. As notas de crítica da série vão de 89, em Need for Speed: Hot Pursuit 2, a 61, em Need for Speed Payback. Most Wanted tem a melhor nota dos usuários, enquanto Underground 2 aparece perto do topo quando notas de crítica e de público são combinadas.

IndicadorJogo
Maior nota da crítica (89)Need for Speed: Hot Pursuit 2
Menor nota da crítica (61)Need for Speed Payback
Melhor nota dos usuáriosNeed for Speed: Most Wanted
Melhor combinação de crítica e públicoNeed for Speed: Underground 2 (entre os primeiros)

A força nostálgica explica por que o projeto encontrou público tão rápido. Não se trata apenas de rejogar uma campanha antiga: o modo online transforma uma experiência originalmente single-player em um espaço compartilhado, com corridas espontâneas e a possibilidade de simplesmente cruzar a cidade ao lado de desconhecidos. É o tipo de uso que os servidores oficiais da época já não ofereciam.

A sombra da IA e a onda de ports de navegador

O entusiasmo vem acompanhado de um debate. O TheGamer afirma haver "alta probabilidade" de que o projeto tenha sido criado com auxílio de IA generativa, o chamado vibe coding, embora não apresente prova definitiva e o site do projeto não confirme o método de desenvolvimento. A ressalva se apoia na explosão recente de ports amadores de clássicos para o navegador e para o PC.

Nos últimos meses, títulos como Halo: Combat Evolved, o modo Zombies de Call of Duty: Black Ops, Super Mario Galaxy e Kingdom Hearts 358/2 Days apareceram em versões não oficiais, muitas vezes resultado de descompilação acelerada por ferramentas de inteligência artificial. O Santuário Geek já acompanhou esse movimento em reportagens sobre os ports de Halo, GTA e Call of Duty no navegador e sobre os projetos de fãs que levaram Halo, GTA Vice City e Simpsons à web.

A discussão envolve três frentes. A primeira é a preservação: jogos fora de catálogo ou presos a plataformas antigas ganham uma forma acessível de serem jogados. A segunda é a qualidade: ports rápidos podem trazer bugs, falhas de segurança e problemas de desempenho. A terceira é jurídica: o código e a propriedade intelectual continuam pertencendo aos detentores originais, e projetos de fãs podem ser retirados do ar a qualquer momento.

Direitos autorais, riscos e o que esperar

Need for Speed é uma marca da Electronic Arts, e Underground 2 continua sendo propriedade da empresa. O projeto não esconde isso: informa que não tem vínculo com a EA e mantém um canal para que titulares de direitos possam entrar em contato. Ainda assim, a ausência de licença oficial significa que o site pode sair do ar sem aviso, seja por decisão dos desenvolvedores, seja por notificação dos detentores.

O timing chama atenção. No mesmo 22 de outubro, a EA confirmou o fechamento da BioWare e o cancelamento do novo Mass Effect, em um corte de cerca de 400 postos de trabalho. A notícia, coberta pelo portal, reforça o clima de desconfiança em relação à publisher — o mesmo clima que ajuda a explicar a recepção calorosa a iniciativas de fãs. Não há, porém, qualquer relação direta entre os dois acontecimentos além da coincidência de data.

Para quem quiser testar, o caminho é simples: abrir o site do projeto em um navegador atualizado, baixar os dados e escolher entre o modo single-player e o online. Vale conferir os controles, fazer um backup dos saves e, se possível, importar o perfil antigo do PC. A população do servidor pode variar ao longo do dia, e o desempenho depende da conexão e da placa de vídeo.

O Underground 2 Revived não é um relançamento oficial, nem substitui a experiência de época em um console original. É uma amostra do que a preservação feita por fãs pode alcançar quando o código existe e a comunidade se organiza — e também um lembrete dos limites desse modelo. Enquanto o site estiver no ar, Bayview continua acessível a um clique, sem instalação e sem conta. Para os fãs de corrida e de jogos clássicos, é uma chance rara de revisitar um marco de 2004 com olhos de 2026. Acompanhe outras novidades de games na editoria de Jogos do Santuário Geek.

Enviar retificação da matéria

Need for Speed: Underground 2 roda direto no navegador

A mensagem será enviada à redação para análise. Política de privacidade.